Samsara e o desarme dos homens-bomba, dos homens-lama e dos lobos solitários.

Paulo Wenderson Teixeira Moraes

(Professor Adj. UNEB / Dr. Psicologia)

15/08/2016

O samsara é um conceito central na compreensão do ciclo da reencarnação em diversas religiões orientais, sendo representado pelo símbolo da roda da vida. O ciclo de morte e renascimento é ativado pelo karma, que pode ser traduzido como lei da ação e reação, que movimenta o universo com eficiência e promove o crescimento espiritual. Muitas vezes, tal crescimento decorre de uma repetição de situações pelas quais um determinado espírito precisa passar para apreender. Depois de aprender, não há mais a necessidade da repetição.

Os conceitos de samsara e de karma são parte de toda uma cosmologia na qual não há fatos que ocorrem ao acaso. Em muitas outras tradições também há uma busca pela compreensão da repetição e da compulsão para determinados delitos e maus hábitos. Na psicanálise, por exemplo, o conceito de karma pode ser comparado com o de pulsão e o de samsara pode ser compreendido como a reencenação do fantasma, que fixado no inconsciente pode retornar periodicamente através da compulsão. Aqui também pode ser desenhada a mesma ideia de ciclos que se repetem ou de uma roda que gira e volta à posição original. Quando, através da análise, se compreende a repetição como uma necessidade inconsciente de dar vazão a impulsos reprimidos, a compulsão tende a perder sua força e dá lugar a um controle mais consciente da vida mental. Em muitos casos, isso gera uma sensação de maior liberdade na negociação com os inumeráveis e contraditórios desejos inconscientes. Entretanto, a roda continuaria voltando para a posição original, porém avançando em nível de complexidade, num movimento espiral que também retorna ao passado, mas sempre num nível acima.

Independentemente da crença, as repetições são notórias na história da humanidade. Como ciclos que se repetem em níveis cada vez mais complexos, os acontecimentos aparentemente caóticos podem estar sendo guiados por estranhas forças que impõem a repetição, à revelia da capacidade de compreensão do indivíduo moderno, equipado com limitada racionalidade.

Entre tais eventos repetitivos, saltam aos olhos os inumeráveis atos de homicídio seguidos por suicídio em função de alguma ideologia que qualifica tal conduta como heroica. O mundo ocidentalizado tem dificuldade em compreender como alguém se lança numa missão suicida, desafiando a razão moderna. Há uma tendência em qualificar de irracional os atos contra a vida, pois a mentalidade ocidental fortalece a crença de que só existe uma vida e cada qual deve alcançar a realização pessoal neste mundo material.

Em diversos momentos históricos, encontram-se registros do espanto do mundo europeu diante do radicalismo motivado por ideias sectárias. Em uma delas, pode-se imaginar o semblante de Marco Polo ao encontrar os guerreiros, por ele denominados de haschichiyun, e o Velho da Montanha chamado  Hassan ibn Sabbah, em uma de suas viagens ao Oriente Médio no século XIII. Talvez não os tenha encontrado em realidade, apenas tenha escutado as estórias das quais criou relatos impressionantes. Estupefata, até mesmo nos dias de hoje, uma pessoa tem dificuldade em imaginar um senhor ordenando um guerreiro a se matar apenas para demonstrar poder ao visitante. “Não pode estar em seu estado normal! Alguém ‘de cara’ não seria capaz de cometer tal insanidade!” Assim, poderia expressar sua indignação, um indivíduo moderno perante um suicídio fútil. Polo, que apesar de não ser moderno colaborou para a globalização do mundo já naquele século, também expressou alguma perplexidade e relatou que tais guerreiros eram fumadores de haxixe (que é o significado da palavra haschichiyun), estando sob efeito da droga ao suicidar-se para atender à excentricidade de seu senhor. Sabe-se que tais haschichiyun embarcavam em missões suicidas e eram bastante eficazes em assassinar até mesmos reis e príncipes. Eles se misturavam ao povo local, estudavam os hábitos e costumes, traçavam um plano e executavam. A palavra “assassino” tem, por essa via, a sua origem etimológica. Mas pode ter sido um engano do viajante europeu, uma fez que uma palavra parecida "assassins" da seita fundada pelo velho da montanha significa aquele que tem fé nos fundamentos islâmicos da seita ismaelita criada por ele. 

Para tornar compreensível esse tipo de comportamento suicida é preciso imaginar um longo treinamento no auge do qual aqueles que são recrutados ingerem uma substância altamente alucinógena, como o opiáceo haxixe, e são induzidos a experimentar um pouco do que eles atribuíram ser o paraíso: um harém psicodélico. Essa mistura de sexo e drogas é a explicação ocidental para a irracionalidade desse comportamento assassino: o paraíso “tido como experimentado” foi prometido em uma “além-vida eterna” em troca da submissão irrestrita nesta vida. Até hoje alguns sonham com esse harém das mil virgens em troca do sacrifício supremo de ceifar a própria vida ou a de outros indivíduos em função de uma suposta profecia de natureza religiosa.

Portanto, não há nenhuma novidade no homem-bomba associado a alguma ideologia, cometendo atos violentos que são considerados heroicos e que conduzem a uma recompensa em outra vida, apesar de ser difícil compreender essas influências estranhas que obscurecem a razão de tais pessoas. Ainda hoje existiria o mesmo treinamento dos haschichiyun com as suas substâncias que os levam ao paraíso artificial? Com tanta informação e possibilidades, por que alguém segue esse caminho enigmático? O que se sabe é que o passado vem obstinadamente se repetindo desde tempos imemoriais, desafiando as marcações do tempo e do espaço.

O homem-bomba está hoje em qualquer lugar e está em lugar nenhum, assim como o estado islâmico, que parece ser uma ficção que captura alguns lobos solitários através de uma espécie de “regime da verdade”, que os nutri com um sentido para a vida, ou para a morte. O que não se entende é como uma pessoa que experimentou a riqueza do mundo ocidental pode querer destruir tal mundo? É tão óbvia a resposta, mas também tão dolorosa que o cidadão comum resiste a tomar consciência.

O padrão de vida materialista está falido como propósito da existência e, mesmo assim, a humanidade ainda continua investimento pesadamente na promessa do progresso material como caminho para a felicidade. Qualquer um pode ser um lobo solitário, na medida em que se perde o interessante por valores mais abstratos e complexos. É uma longa caminhada para desenvolver um espírito livre, pleno de satisfação com a vida e com a humanidade. A vida moderna parece não estar facilitando esse desenvolvimento em amplas camadas da sociedade. Num planeta poluído, estressante e competitivo, qualquer um pode ser presa fácil de uma “solução final”, pois o ser humano “normal” anda tão entorpecido com as “maravilhas artificiais” que pode sucumbir a qualquer ideologia barata. O haxixe de hoje são os dispositivos eletrônicos que produzem os “paraísos artificiais” e projetam a mente num labirinto virtual psicodélico, a partir do qual qualquer sujeito pode sucumbir num beco sem saída de algum regime fundamentalista ou ideia macabra de atentados em massa. O exército de mentes ociosas e carentes está a postos em qualquer lugar do planeta, bastando um toque de sugestão hipnótica e o gatilho pode ser acionado. Mas quem criou tais mentes que não conhecem a si próprias e se submetem tão facilmente? Se frequentemente o indivíduo ocidentalizado é seduzido pela mídia para se entregar a um consumismo desenfreado, por que não cederia frente a qualquer outra promessa igualmente ilusória e infantil?

Alguns países já estão pensando em implementar, no currículo escolar básico, disciplinas que auxiliem as pessoas a pensarem criticamente, desenvolvendo assim uma habilidade básica para que o indivíduo se defenda das tentativas de convencimento banais, sejam as fake news ou até mesmo propagandas enganosas que vendem gato por lebre. Postura crítica deixou de ser coisa de "marxista revoltado" para se transformar numa necessidade básica, pois é extremamente complexo gerenciar cidadãos que se enganam irrefletidamente e tornam-se consumistas alienados que não pensam nas consequências dos seus atos. Além de proteger o cidadão das falsas promessas, a atitude crítica livraria muitos de se entregarem facilmente a propostas radicais que terminam tragicamente. Por fim, o desenvolvimento do pensamento analítico auxilia na construção de um sentido para a vida que fortalece o sujeito no embate com os conflitos e angústias.  

Sem um significado para viver, muitos jovens frequentam a escola em busca de um futuro melhor e lá encontram a mesma disseminação dos valores em voga na sociedade. A educação é um processo paradoxal, pois busca inserir o indivíduo na sociedade, mas ao mesmo tempo precisa transformar o próprio mundo através da análise crítica. Os lobos solitários vem atacando sistematicamente as escolas, numa ação desesperada de dizer ao mundo que é preciso transformar as instituições. Paralelo ao processo de aprender algum conhecimento, começando pelo português e matemática e indo até a iniciação profissional, é preciso desenvolver espaços de autoconhecimento. É um tanto fácil enquadrá-los como diferentes, mentalidades doentias, mais próximos dos extremistas do Estado Islâmico ou pertencente a qualquer grupo de fanáticos que promovem tragédias estúpidas e sem sentido para a sociedade estabelecida. Entretanto, no final das contas, o lobo solitário que massacra a escola tem um pouco daquilo que toda pessoa tem: a solidão que marca a existência em busca de respostas sobre a condição de ser humano.   

Se a compreensão do outro é uma tarefa hercúlea, o que se dirá de conhecer a si mesmo? Aparentemente nos conhecemos no sentido de ter um nome, uma família e uma casa. Mas será que isso é suficiente para conhecer a si próprio? Assim como o peixe que não percebe a água em que vive e o animal o oxigênio que respira, na maior parte das vezes o ser humano também não tem consciência do aquário social no qual vive e é limitado. Por isso não se percebe que, similarmente aos homens-bombas, aos haschichiyun e aos lobos solitários de todo o mundo, também existem exterminadores no ocidente enriquecido, mas sobre estes não recai a alcunha de loucos ou irracionais, pois estão mais próximos do nosso contexto cultural, portanto, mais próximos do ego.

O adjetivo mais comum aos criminosos e assassinos ocidentais de alto poder aquisitivo é o de egoístas, que cometem brutalidades em função de interesses pessoais. Como num passe de mágica, a ação inescrupulosa dos corruptos ocidentais é “tida como compreendida” pelo cidadão cristão comum, pois a motivação está dentro das aspirações materialistas vulgares e não num além-vida. Mas isso os torna menos danosos? Qual a racionalidade de destruir o meio ambiente, matando pessoas em “supostos acidentes” que são evitáveis? Qual a moralidade de concentrar tanta renda que poderia ser revertida para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade? Qual o princípio ético da bomba atômica? E o mercado de massa que torna as pessoas adoecidas com comida de má qualidade? Qual é a lógica da intoxicação por agrotóxicos? A resposta a tudo isso está ligada à medida moderna de todas as coisas, que é muito conhecida e legitima muitos abusos: o dinheiro. Mas o papel em si, que carrega o poder de troca, não tem a força para dominar ninguém. Eleger o dinheiro como responsável é o velho artifício de encontrar algum bode expiatório. Então, para ser mais preciso, a causa dos crimes cometidos pelos homens de colarinho branco, executivos e homem de poder, é a ganância pelo dinheiro.    

O “homem-bomba-ocidental” pode ser até mesmo mais letal e nem se quer precisa se suicidar. Para nossa infelicidade, ele continua impune, anos a fio, executando seus projetos de maldade. São executivos, políticos e profissionais que prejudicam outras pessoas e drenam a energia coletiva para interesses pessoais. Aos homens-bombas do ocidente falta a espiritualidade, uma vez que bebem da ideologia do materialismo e do individualismo. Isso dá margem ao darwinismo social que naturaliza a lei do mais forte e pode até fundamentar o genocídio.

Porém, talvez eles não terminem ganhando tudo. Como bem descreveu Freud, algum dia a consciência chega, nem que seja de forma tardia e através de fantasmas que impõem sua voz infalível. O retorno do fantasma é inevitável, a não ser que a estrutura psicológica tenha rompido completamente com a culpa, o que não é tão frequente quanto se imagina e nem é o caso da maioria dos neuróticos e dos histéricos em questão.  Um dia o “homem-bomba-ocidental” torna-se parte do grupo dos “arruinados pelo êxito” e paga a conta pelos atos engenhosamente planejados e pela astucia tão audaciosa. Alguns acabam se matando ou preferem alguma medida mais indireta, como um câncer ou algum adoecimento crônico que os façam purgar e expiar as próprias transgressões. Talvez até fazendo-os repugnar as ilusões que lhes conduziram a uma armadilha. Toda ideologia tem seus furos e não seria diferente com o materialismo, conduzindo irrevogavelmente o crente para suas próprias contradições e delitos.

No final das contas, as ilusões de poder e status vão para debaixo da lama, junto com vidas desperdiçadas em nome da cobiça e da acumulação financeira obsessiva. Os executivos-bomba desenvolvem o cinismo e a frieza, próprios do poder e da corrupção. Pressionam as autoridades através dos políticos-bomba, os seus primos de criação, para manter negócios perigosos e brincar de roleta-russa com a vida alheia. Os desastres ambientais são obras da negligência criminosa dessa gente que se organiza numa rede mafiosa de seres que se acham mais importantes do que toda sociedade reunida e que são recompensados pela impunidade. Ao pensar nas barragens de mineradoras que não se responsabilizam pelos riscos de sua atividade, acumulando de forma precária um lamaçal de rejeitos de sua produção, e que num piscar de olhos consomem vidas preciosas com o rompimento de frágeis e inapropriadas estruturas, uma analogia entre os homens-bomba e esses homens-lama não seria nenhum grande disparate. Seja explodindo ou jogando lama, a morte é sempre dolorosa, ainda mais quando é guiada por uma ideologia duvidosa, independente do fato dela ser de natureza religiosa ou materialista.         

A condição humana envolve a vulnerabilidade à ideologia de criação adotada por cada sociedade. É uma prisão complexa e enigmática. Observa-se uma grande tendência do cidadão normal a sucumbir à sua ideologia materna, pois do seio desta jorra a nutritiva tentação da certeza, que consola aos pobres mortais. Podemos nos comparar a crianças de colo que choram desesperadamente pela segurança de um peito quente e saboroso, que nos faça esquecer que existe um mundo um tanto caótico e fragmentado para uma incipiente consciência. Mas o leite mais doce das certezas pode fermentar no fel dos retrocessos e na criação de todo tipo de bactéria fundamentalista. Propaga uma febre e contamina a quem esteja com sistema imunológico vulnerável, ou seja, é fatal para aqueles que não suportam a dúvida e o exercício do exame crítico da realidade. Além de parecer ridículo um adulto querer voltar a mamar no seio da própria mãe, chorando e implorando por atenção, também é perigoso para a coletividade. Qual o bebê que tem o choro mais forte para assim impor a sua ideologia aos outros? Quem é a criançinha iluminada que alega ter o selo divino para discernir o certo do duvidoso e assim acalmar a mente dos neófitos? Quem se arroga nesse lugar de mediador da divina certeza pode estar vendendo um produto que ofende a própria natureza humana, que tem a capacidade de duvidar como sua característica mais emblemática e que está relacionada com o livre arbítrio e a liberdade. Quem não consegue questionar, dificilmente poderá escolher.    

A solução para desarmar a bomba da certeza fundamentalista pode vir pelo caminho oposto ao do “regime da verdade” ou da “suposta convicção”, com a qual se tenta converter os infiéis.  Esse caminho é o da dúvida do sábio que procurar estar alerta e examinar constantemente as ilusões que são postas por tantas crianças chorosas. Ele ensina que não há caminho fácil além da humildade e do reconhecimento de que o ser humano é falho e com racionalidade limitada. Não adianta apontar o defeito do outro estanho, do bode expiatório, quando nem se quer há uma visualização da própria estranheza. Assim volta-se ao zero: “sei que nada sei”! Esta é, por incrível que pareça, uma certeza estruturante da igualdade na humanidade. Ao partir desse ponto zero da certeza, toma-se consciência de que existem pontos cegos para o ser humano. Um ponto de luz começa a alvorecer com o sol da igualdade e do respeito pelo semelhante.

Diante dessa “certeza zero” que lança o sujeito num mar de dúvidas, emerge o campo de batalha: a nossa própria mente, onde o ego tenta heroicamente encontrar um sentido para a vida. O livro sagrado da Índia chamado Bhaghavad Gita expressou em poemas essa guerra diária do indivíduo em busca da conscientização. Então, é possível substituir essa atitude de julgar o mal que sempre está distante, no outro, por uma busca sincera pela libertação de si mesmo. Esse é o caminho do Yoga, a busca da união com o eu mais profundo e divino que pode ser chamado de Deus. Ao respirar profundamente, reter o ar por alguns segundos no pulmão, sentir a vida se espalhando pelo corpo e soltar vagarosamente aquilo que nos foi dado, para recomeçar tudo de novo, abre-se a possibilidade de um relacionamento íntimo com o milagre da vida. Respire, sinta e solte! Um procedimento simples, mas que as pessoas estão com dificuldade de realizar nos grandes centros urbanos adoecidos.

Uma respiração profunda e pausada favorece o desenvolvimento da razão substantiva e facilmente desarma as bombas e os gatilhos emocionais que podem se encontrar armados em qualquer pessoa e, assim, sequestrar sua consciência. O processo de conhecimento corporal leva ao conhecimento mental e, por conseguinte, à elevação espiritual. É difícil imaginar alguém respirando fundo e ficando tranquilho na eminência de fazer uma estupidez. A arte de respirar profundo é um caminho para a sabedoria universal e constituição de uma mente sã. As técnicas do yoga incluem o domínio sobre a respiração com o objetivo de despertar e desenvolver a luz que existe em cada ser.

Cada um pode ser senhor de si e modelar o seu próprio caminho, enfrentando as aflições e suportando os questionamentos, examinando o que há de bom em si mesmo e o que dever ser melhorado com disciplina e perseverança. O mundo se transforma quando humildemente reconhecemos as nossas próprias falhas e aprendemos com os erros. Antes de questionar os kamikazes, os homens-bombas ou os haschichiyun, é mais elegante começar consigo mesmo: "Quais bombas eu tenho que desarmar dentro de mim, hoje, nesse exato instante? Quantas bananas de dinamite encontram-se atadas ao meu corpo ocidental? Por que ando repetindo compulsivamente os mesmos atos e comportamentos?". Antes de apontar o dedo para o oriente-médio, é preciso olhar para os homens-lama ocidentais que se proliferaram como uma epidemia nas estruturas de poder das grandes corporações e do Estado de diferentes países.

Nesse contexto, uma pergunta ética é de fundamental importância para manter a reciprocidade na sociedade e possibilitar aos sujeitos um caminho para viver de maneira digna e limpa: "o que é possível fazer para não jogar as pessoas na lama?". Essas são perguntas para desenvolver a imaginação criativa na busca de pequenos insights na construção da desejada saúde mental e qualidade de vida. Um equilíbrio dinâmico emerge de uma sincera atitude de humildade, que reconhece a limitação do sujeito em ver a verdade. Assim, ele desiste de acionar o dispositivo que detona toda sociedade e obscurece a alteridade. A ignorância individual é um empecilho à reciprocidade, mas pelo reconhecimento da própria debilidade, pode acontecer o milagre da sobriedade e assim poderemos salvar a cidade, abrindo espaço para uma profunda espiritualidade.