Cuidado! Criminoso branco à solta.

16/05/2016

Prof. Dr. Paulo Wenderson Teixeira Moraes

Infelizmente, uma necessidade avassaladora fez surgir esse texto de advertência. Os amigos que vêm me conhecendo sabem que não gosto de aterrorizar as pessoas criando um clima de pânico e medo, mas não resisti e sucumbi à urgência dos fatos. Venho à público alertar para o perigo que a sociedade vive, tendo em vista que se encontra em liberdade um criminoso de aparência branca, que vem abatendo vítimas e mais vítimas, de todas as idades, sexos e raças. A polícia ainda não se manifestou, nem o ministério público ou qualquer autoridade. O silêncio impera e torna premente a necessidade dos cidadãos se mobilizarem exigindo mais segurança no dia a dia da população.

É um assassino em série de difícil caracterização, pois ele age em todos os horários e lugares, levando à suposição de que não atua sozinho, mas trata-se de crime organizado e entranhado nas vísceras do poder, já que está impune há muito tempo. Em plena luz do dia, ele vai envolvendo a vítima, que saboreia a sua presença sedutora sem perceber que está sendo aliciada. Em outros casos, o indivíduo espontaneamente conduz o crápula para dentro de casa, convive com ele e quando se encontra entorpecido vem o golpe de misericórdia: mais uma vida foi ceifada.

Como tudo isso começou? Quando isso irá terminar? São perguntas que não querem calar. Depois de tanto tempo passado é claro que muitos comparsas estão sendo coniventes com essa situação. Além de advertência, esse texto é um desabafo e um convite para que possamos juntar forças contra essa ilusão que hipnotiza as massas. Há relatos de episódios nos quais até mesmo em aniversários infantis o meliante utiliza de suas artimanhas para dominar o público e entorpecer as crianças. Bem que os mais velhos dizem: “não aceite doce de estranho”, eu acrescento, “doce é pura ilusão”. O problema é que são os próprios conhecidos que estão aproximando as crianças da ilusão e condenando o futuro delas. Como isso pode acontecer? Será que estou em outra realidade e só eu percebo a presença insidiosa desse malfeitor? Por favor, não me deixem sozinho, pois corremos um risco mortal tendo em vista que muitos já morreram em vida.

Alguns dos leitores ainda não estão indignados até aqui? Precisam de um nome e de uma descrição mais exata? A ideia de uma conspiração é tentadora, mas isso incorre em questão controversa. Seriam as grandes corporações as responsáveis por detrás de todo esse mal? Ou os extraterrestres, os culpados por tamanha conspiração contra a humanidade, abduzindo inocentes? Estariam eles usando o criminoso apenas para dominar os seres humanos? Só que não: os extraterrestres somos nós mesmos!

Para marcar profundamente a memória com esta denúncia, somente ao final será revelada a identidade original do infrator que cometeu tamanha delinquência. Aí poderá o leitor por si próprio dar o veredito de culpa ou inocência, fundamentando uma futura jurisprudência. Antes, é bom relatar que já existem milhares de estudos científicos delatando o crime, mas isso parece ser segredo de Estado e acobertado pela grande mídia que promove esse demoníaco regime. Há interesses econômicos e políticos em manter a população passiva, consumista e entorpecida. O criminoso age com mecanismos muito parecidos com o da cocaína, alimentando o sistema de prazer do cérebro e tornando o organismo refém da excitação decorrente do consumo abusivo. A tortura se apresenta aos poucos, mas se evidencia na crise de abstinência, quando se implora pela presença do maligno. Durante o processo de envolvimento, o tirano se torna altamente desejado e domina completamente os desejos da vítima. Não há tortura comparável, pois as pessoas nem mesmo percebem que estão se matando. Talvez, por isso mesmo, se for levado ao tribunal é temeroso que haja absolvição, sendo o principal argumento da defesa o de que se trata de suicídio e não de um assassinato. Muitos irão até culpar a vítima, que não sabe se defender e se entrega facilmente às investidas do algoz. Psicólogos e psiquiatras inexperientes tentam construir um perfil de vítima e juntamente com nomes esotéricos receitam terapêuticas e remédios. Isso tudo só torna o mal mais invisível.

Não quero concluir melancolicamente esta notícia crônica, pois a histeria coletiva só aumentaria, alimentando o pânico instalado na modernidade dos grandes centros urbanos. A cidade precisa de agentes de transformação e mudança, para facilitar a qualidade de vida, não de incendiários. Existe então algum remédio para se proteger do efeito deletério da presença insidiosa do criminoso branco? Sim, há muitas possibilidades. É necessário fortalecer o psicológico do sujeito, para que ele possa diferenciar o real da ilusão, evitando a compulsão. A coisa mais parecida com o real é a ilusão, pois se fosse de outra maneira, ela não enganaria o ser humano, deixando-o vulnerável e alienado. Desenvolver a virtude e a felicidade autêntica é o melhor remédio para combater as artimanhas do perverso malfeitor.

Para fortalecer a mente e o corpo, no dia a dia, um caminho é a prática do Yoga. Desenvolvendo a respiração, o corpo é adequadamente oxigenado e o pensamento é iluminado, fazendo a mente diferenciar o que é certo do que é errado. Por outro lado, tornando o corpo firme e flexível, transforma-se tensão em relaxamento, dor em prazer. Ao longo da prática do yoga, é possível visualizar a autorrealização e assim criar um estado de paz que repele naturalmente qualquer energia inferior e posterior aflição. Vamos respirar, sentir e soltar. O monstro há de se apagar e no seio da terra se enterrar, pois o mecanismo de prazer do cérebro, do qual ele quer se apropriar, será blindado dessa maneira e o mal se findará. É possível pressentir as crianças, os jovens, os adultos e os idosos se libertando do vício, pois essa mudança de hábito não implica em nenhum sacrifício, além da busca e do encontro com a satisfação em si mesmo, só isso. É preciso começar. Pode ser entoando o mantra OM e expandindo a concentração. Ou até mesmo fechando os olhos e acessando as verdades íntimas de si próprio. O importante é espontaneamente soltar o vício e a compulsão.

Por enquanto, só é possível se libertar individualmente. Mas está crescendo a corrente e no futuro será possível resolver o problema definitivamente. E não será preciso prender ou levar para a cadeira elétrica o transgressor impudente. A solução é não fabricar mais do seu congênere. Desde já, entrego de bandeja o nome do criminoso branco à solta, o indecente, que vem estragando a vida da gente: o açúcar branco.

16/05/2016

PWTM

Prof. Paulo Wenderson faz posição de Ioga no Campus da UEFS