Crianças e “Os Três Porquinhos da Índia”.

 

Paulo Wenderson Teixeira Moraes

13/02/2016

Quando minha filha nasceu, eu já pratica Hatha Yoga há 7 anos. A partir daí, comecei a pensar em como ensinar para ela. Depois nasceram meus outros dois filhos, aumentando o desejo de encontrar uma forma para facilitar o aprendizado das posturas do Yoga. Então encontrei um livro que tinha figuras de crianças praticando. Foi automático: eles olhavam as figuras e faziam. Não imaginei que eles fossem se conectar tão facilmente. Até que um dia, contando a história dos três porquinhos, surgiu a ideia de contar uma história diferente, com um mestre de yoga porquinho dando aulas de yoga para o lobo mal. Assim surgiu “Os Três Porquinhos da Índia”.     

 

Então comecei a apresentar na escola em que os meninos estudavam. Foi o primeiro teste fora de casa. A experiência começou assim: estou de olhos bem fechados com as pernas cruzadas em padmasana, esperando por elas. Depois de 5 minutos começo a ouvir os seus passinhos.  Concentro-me em minha respiração, para não pensar tanto, para não deixar a ansiedade roubar a melhor parte da estória. Sinto que já são muitas em minha frente. Será que elas gostarão do texto? Será que vão aprender? Então começo a ouvir os comentários:

 

- Pró, é de verdade?

 

- Tá vivo ou é uma estátua?

 

- Ah! É um mestre de Yoga!

 

Por dentro, eu sou todo risada, mas mantenho a pose para começar o espetáculo. Espero mais um minuto em silêncio. Arrisco abrir levemente um dos olhos e para o meu espanto, muitas crianças apenas sentaram em minha frente e copiaram a minha posição e fecharam os olhos também. Que alegria! Algo na memória foi ativado, um bom presságio. Começo a narrar a estória. Mas a parte mais comovente é quando fazemos os asanas para transformar a natureza do lobo-cordeiro.

 

 

 

 

Apresentação do livro "Os Três Porquinhos da Índia, no colégio 2 de Julho.

Cada pessoa que se emociona com “Os Três Porquinhos da Índia” é um presente para mim. Uma avó me contou que seu neto quer praticar toda hora e agradece o presente sempre que a encontra, fazendo questão de mostrar que já sabe alguns asanas. Ele a Convida para praticar juntos. Ela senta, observa e se emociona com as palavras de seu netinho:

 

- Vovó, ainda bem que eu comecei desde criança, para ser mais forte!

 

Outro dia, fui levar minha esposa ao hospital para tirar uma radiografia, por conta de acidentes caseiros. Lá chegando, outra mulher tinha um problema parecido. Ela tinha levado a filha, que estava com a energia natural de uma criança. Puxamos assunto devido à semelhança das contusões nos pés. Quando percebi que a pequena estava muito agitada e os pais já cansados de ter que conte-la, comecei a brincar. Perguntei se ela sabia fazer uma árvore. Então mostrei a posição da árvore, uma postura de equilíbrio sobre apenas uma das pernas. Ela fez, mas rapidamente sua árvore caiu. Eu disse: ‘uma árvore é firme, temos que treinar mais. Vamos agora com outra perna’. E fizemos o elefante e a vaca. Então, lembrei-me de abrir no celular a estória: www.ostresporquinhosdaindia.com.br. Pensei que estava agradando, depois de cinco minutos narrando. Mas para minha surpresa, minha ilustre espectadora saiu em silêncio para dentro da enfermaria. Fiquei desolado por uns instantes. Acho que ela estava insegura sem a presença da mãe e um estranho contando uma estória de uma terra distante. Foi quando me surpreendi novamente

 

-Mãaae! A estória é muito linda!!

 

Foi como balsamo em minha alma! Então ela voltou para ouvir o resto da estória.